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Reação de classe política para investigar Lava Jato chegou. Tarde demais??

16 SET 2019
16 de Setembro de 2019
Reação de classe política para investigar Lava Jato chegou. Tarde demais?
Foto: Luis Macedo/ Câmara dos Deputados

A classe política demorou um pouco para mandar avisos para a Operação Lava Jato. Sempre permaneceu muito mais ao campo das abstrações qualquer tentativa de impor limites à atuação de Deltan Dallagnol, Sérgio Moro e companhia. O máximo, até então, foi a lei do abuso da autoridade, que passou por cortes com os vetos do presidente Jair Bolsonaro. A situação, todavia, parece ter começado a mudar na última sexta-feira (13). O número mínimo de assinaturas para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foi alcançado na Câmara dos Deputados e, caso mantido o ritmo, não enfrentará resistência no seu funcionamento, ante as mensagens divulgadas pela “Vaza Jato”.

 

Advogados criminalistas já sinalizavam excessos da força-tarefa e de Moro na condução das fases e dos processos da Lava Jato. Porém eles sempre foram parte interessada em denunciar eventuais irregularidades. A grande diferença dos últimos três meses é que o pedestal em que foram colocados os protagonistas da operação começou a desmoronar. É certo que uma parcela expressiva vai seguir apoiando cegamente as ações. Mas as informações trazidas a público pelo site The Intercept encerraram de vez a chance de unanimidade.

 

É nesse contexto que os deputados federais finalmente tiveram coragem de provocar uma CPI sem tanta preocupação com a reação negativa da população. Ainda assim, a quantidade de assinaturas é relativamente pequena no comparativo ao total de parlamentares da Câmara. Até a eventual instalação pelo presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ), deputados podem requerer a remoção das rubricas e a comissão pode ser natimorta. Por isso há uma campanha para pressionar Maia a colocar o próprio nome na lista, o que daria força política aos integrantes do parlamento. Porém não será tão simples.

 

A maior parte das assinaturas é de membros da oposição. E endossar a CPI da Lava Jato atrelando a demanda à minoria é um risco no relacionamento já conturbado com o Palácio do Planalto, abrigo do agora ministro Sérgio Moro. O ex-juiz não mantém a mesma aura de herói do passado, mas ainda assim goza de prestígio junto à opinião pública. Comprar uma briga com ele pode trazer consequências políticas difíceis de serem mensuradas, então Maia deve ser cauteloso sobre o passo seguinte a ser tomado na Câmara.

 

Nem de longe a comissão deve se transformar numa ameaça real à bandeira original da Lava Jato, o “combate à corrupção”. Agora é inevitável considerar que a imagem da operação pode ser desgastada ainda mais com parlamentares usando o espaço como palanque para criticar possíveis excessos cometidos no âmbito dela. É uma reação relativamente tardia aos rompantes antipolíticos perpetrados do sistema jurídico desde 2014 – ou seja, há cinco anos. Ainda assim – e por mais que discordemos das motivações – é bem natural que ela aconteça. Para cada ação, há uma reação. A Lava Jato talvez agora aprenda sobre isso na prática.

 

Este texto integra o comentário desta segunda-feira (16) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Irecê Líder FM, Clube FM, RB FM e Valença FM..

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