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Mesmo após um ano, morte de Marielle Franco segue carregada de simbologia.

13 MAR 2019
13 de Março de 2019
Mesmo após um ano, morte de Marielle Franco segue carregada de simbologia
Foto: Reprodução / Facebook

Quase um ano após sua morte, a vereadora Marielle Franco ainda é capaz de nos ensinar muitas coisas sobre representatividade. E isso fica ainda mais forte quando se percebe a simbologia em torno do caso. Não apenas pelo fato de ser uma mulher negra, com origem na periferia e por ser lésbica. Mas pelo comportamento das próprias autoridades públicas ao falarem sobre o que pode ser o prelúdio da solução do homicídio dela e do motorista Anderson Gomes. De um lado, a Polícia Civil e o governador Wilson Witzel. Do outro, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ). Mesmo que tenham tido o mesmo objetivo, a estratégia narrativa adotada mostra que a morte da vereadora provoca o reforço de simbolismos.

 

Ao final da manhã, o delegado Gineton Lages, da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro, passou um bom tempo falando sobre as apurações do órgão. Ao seu lado, o governador chegou a citar que o MP-RJ preferiu não participar da coletiva de imprensa sobre a Operação Buraco do Lume, que prendeu Ronnie Lessa e Élcio Vieira de Queiroz, acusados de serem os executores da vereadora e do motorista. Na mesa da coletiva, apenas homens falavam sobre o caso. Com direito a Witzel tentar capitalizar politicamente a investigação, mesmo tendo ele estado ao lado do deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL) quando o então candidato a parlamentar destruiu a placa de rua com o nome de Marielle Franco.

 

No começo da tarde, a coletiva do MP-RJ foi dada apenas por mulheres, como as promotoras Elise Fraga e Leticia Petriz. Elas, que conduziram a investigação no âmbito do parquet, também apresentaram informações sobre a operação de mais cedo, com detalhes muito similares. E foram seguidas por familiares da vereadora, que endossaram a sensação de acalento com a possibilidade de ter os executores do duplo homicídio presos, ainda que a dor pela demora de 363 dias para alguma novidade concreta sobre o caso. Ao estarem em um mesmo espaço, o MP-RJ e os parentes de Marielle carregam o simbolismo de não coadunarem com a apropriação política da morte da vereadora e do motorista – que aconteceu por conta da politização dela.

 

Mais uma coisa foi simbólica na operação de hoje: único candidato à presidência da República a não falar sobre a morte de Marielle em 2018, o agora chefe do Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro, acabou sendo obrigado a comentar a operação nesta terça-feira (12), mas acabou citado no noticiário por “coincidências”. A primeira por ser vizinho de condomínio de Ronnie Lessa, sargento reformado acusado de atirar contra as duas vítimas. A segunda por um dos herdeiros ter namorado a filha de um dos acusados. Em ambos os casos, não é possível fazer qualquer ligação entre Bolsonaro e o crime, contudo nas redes sociais sobrou espaço para teorias de conspiração.

 

Apesar de haver sinais de que o caso Marielle parece caminhar para a elucidação, a pergunta principal segue sem resposta: quem mandou matar a vereadora? Não dá para ser inocente ao ponto de acreditar que assassinos tenham agido por conta própria apenas para pôr fim à militância de uma representante da periferia na Câmara do Rio de Janeiro. Por enquanto, o crime segue sem castigo e sem condenação de todos os envolvidos. Mas não importa quanto tempo passe, uma coisa não vai mudar: enquanto se falar sobre símbolos de luta por democracia e justiça, Marielle sempre estará presente.

 

Este texto integra o comentário desta quarta-feira (13) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Excelsior, Irecê Líder FM, Clube FM e RB FM..

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